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Tem vezes que eu me perco mesmo, perco o rumo, a direção,
o sentido, a motivação. E com o azul roubado saí sozinho naquela noite.
Eu a encontrei numa sombra, vestida de preto.
O lugar era cheio de penumbras e a música alta
me deixou hipnotizado, estava tonto demais pra vê-la direito.
Sua imagem embasada tomou conta da minha visão.
Dançamos juntos, sem dizer palavra, apenas com os olhos
cada vez mais dentro um do outro.
Ela confessou ali mesmo ao meu ouvido direito “Eu sou ninfomaníaca”.
As Ninfas eram divindades que habitavam os rios,
fontes, bosques, montes e prados. Pela sua beleza e ousadia,
entendiam os homens, eram dotadas de grande interesse sexual.
Por isso, a palavra Ninfomaníaca está associada ao desejo sexual
anormalmente forte nas mulheres.
Nossos corpos ferveram no meio da pista.
As coisas são diferentes no meio da noite.
Leila vive segundo os seus próprios instintos
e faz do seu desejo animal uma fonte de poder sobre os homens.
Desiludida com o amor ela não dá importância às relações amorosas,
seus pais acabaram de se divorciar e por isso não acredita
que as pessoas possam ser felizes juntas.
Naquela noite ela me escolheu.
Sexo hoje em dia tornou-se uma forma
de se comunicar com as pessoas, para muitos a única forma.
Para Leila conhecer o outro, entrar
na sua intimidade e partilhar dela dá medo.
Mas sexo não é amor. Não fizemos amor.
Fugimos de nossos sentimentos por medo do sofrimento,
apostamos corrida com eles só pra ver se correm mais do que nós.
Mas secretamente esperamos que eles ganhem,
que nos apanhem já sem fôlego no final dessa corrida
e que não tenhamos resistência para resistir a ele.
Leila estava há muito tempo nessa vida de relações
“de uma noite”.Descobriu que eu não sou assim.
Eu disse a ela que uma das condições mais importantes para ser feliz,
é tornar-se vulnerável. Ela desmontou, deitou no meu colo,
eu acariciei seus cabelos levemente vermelhos
enquanto ela me contou sua vida.
E eu citei “O lobo das estepes”.
- Leila, um suicida não é só aquele que tira a própria vida.
A gente se mata ao longo da nossa história,
com escolhas erradas, com a falta de personalidade,
de motivação para traçar uma rota ou encontrar uma saída.
Está escrito naquele livro que tenho na estante:
Estou curioso por saber até que ponto um homem pode resistir.
E quando alcançar o limite do suportável, basta abrir a porta e escapar.

Eu preciso da sua graça
Para me lembrar
De achar a mim mesmo
(Chasing Cars- Snow Patrow)

Tudo o que eu sou
tudo que já fui um dia
está aqui nos seus olhos perfeitos
eles são tudo o que posso ver...

Escrito por lucas às 23h09
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