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Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes as palavras voavam E eu via que o céu me nascia dos dedos E a Ursa Maior eram ferros acessos Marinheiros perdidos em portos distantes Em bares escondidos em sonhos gigantes E a cidade vazia da cor do asfalto E alguém me pedia que cantasse mais alto Quem me leva os meus fantasmas Quem me salva desta espada Quem me diz onde é a estrada Aquele era o tempo em que as sombras se abriam Em que homens negavam o que outros erguiam Eu bebia da vida em goles pequenos Tropeçava no riso abraçava venenos De costas voltadas não se vê o futuro Nem o rumo da bala nem a falha no muro E alguém me gritava com voz de profeta Que o caminho se faz entre o alvo e a seta Quem me leva os meus fantasmas Quem me salva desta espada Quem me diz onde é a estrada De que serve ter o mapa se o fim está traçado De que serve até à vista se o barco está parado De que serve ter a chave se a porta está aberta De que servem as palavras se a casa está deserta Quem me leva os meus fantasmas Quem me salva desta espada Quem me diz onde é a estrada... P. Abrunhosa 
Escrito por lucas às 10h29
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