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Esta técnica de meditação, de origem chinesa, consiste em fazer o vosso sol interno nascer ao mesmo tempo que o Sol cósmico surge no horizonte.
Levanta-te bem antes do Sol nascer, toma um banho e veste roupas brancas. Senta-te na posição de lótus, com a coluna erecta e as pernas cruzadas à frente do corpo. Fecha os olhos e procura sentir o corpo bem relaxado... Visualiza um sol de cor alaranjada nascendo na altura do teu umbigo. Imagina que o calor emanado por esse sol aquece todo o teu corpo, enquanto uma luz dourada o envolve completamente. Visualiza o sol elevando-se do teu umbigo até ao teu coração. Imagine que dessa região parte uma grande e bela ave branca que voa para longe, levando com ela todas as tuas tristezas... Imagina que esse sol se eleva ainda mais, até chegar ao centro energético localizado entre as sobrancelhas. Faz então o sol ganhar uma intensa coloração dourada e subir para o alto da cabeça, de onde ele se expandirá até explodir como uma luz que se junta à do sol cósmico.
Escrito por lucas às 17h56
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Às vezes, para que tudo fique mais claro, é preciso fechar os olhos.
Ilustre Visitante
Rabindranath Tagore*
De cânhamo teci Tua coberta; De palha trancei a Tua esteira; De barro moldei Tua tigela; De canas de bambu construí Teu leito; De uvas verdes fabriquei Teu vinho; De sândalo perfumei Tua casa; De massa ázima fiz Teu pão. Depois deitei-me, para esperar a Tua chegada. Dormi, sonhando um sonho de luz. Despertei mais tarde, ansiando por Tua chegada! Quando abri a porta, o cheiro do sândalo inundou todos os cantos. Quando abri a porta, o vento brando entrou, suavizando a canícula ardente que me abrasava; quando abri a porta, o sol chegou tímido a princípio, para logo possuir tudo, iluminando o interior sombrio. Quando abri a porta, a música da praça do mercado tomou de assalto o silêncio,
alegrando a minha solidão. Quando abri a porta aguardava expectante o hóspede ilustre que estava para chegar; mas à soleira estava deitado um lamentável mendigo, da casta dos intocáveis.
Olhei-o constrangido sem saber o que fazer. Sobre a mesa jaziam as iguarias para o meu visitante. O vinho raro aguardava no vaso de barro; no chão, a esteira de palha e na mesa o pão ázimo e o perfume precioso. A casa estava pronta! Aflito, desolado temi usá-los com o triste miserável, e por um instante pensei em afastá-lo. Levantei os olhos, pensativo, e perguntei-me o que faria o meu visitante se estivesse em meu lugar. A luz do sol bateu em mim, o vento fresco clareou-me a idéia perturbada e a alegria da música, trouxe-me à lembrança os ensinamentos Dele. Envergonhado abaixei-me tomando nos braços o pobre lazarento,
levei-o com amor para a intimidade do meu lar. Banhei-o, vesti-o; com o pão e o vinho o alimentei; ofereci-lhe o leito, com a esteira o confortei. Depois, ainda pensando no Compassivo Visitante de minha casa,
perfumei-o com a preciosa fragrância. E mais desejei fazer; estimei abraçá-lo em nome do Mestre Amado e assim o fiz. Ao fazê-lo, passou-se notável transformação. Da face esquálida do mendigo duas lágrimas rolaram e os seus olhos brilharam com a doçura dos Imortais; suas mãos, antes ásperas e encardidas, tornaram-se duas taças do mais límpido cristal; os trajes sujos, mudaram-se em túnica de alvura ímpar. Atônito, duvidando dos meus olhos, reconheci no mendigo o meu Senhor! Olhou-me e misericordioso sorriu-me. Compreendi a lição sem palavras do Mestre dos Mestres. Curvei a cabeça e nunca mais, nem mesmo pelo pensamento, rejeitei os que se abrigam em minha porta. Faço por eles o que faria pelo meu Senhor, e ao fazê-lo, recordo a face serena do suave e meigo Amigo, o visitante permanente da minha casa.
Escrito por lucas às 07h47
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